sexta-feira, 29 de outubro de 2010

7 fatos sobre a superbactéria


Não deu nem tempo sentir alívio com o fim da gripe A. Agora tem uma superbactéria que segundo a OMS já matou quase 19mil pessoas, está querendo tocar o terror. Não há números exatos de infecção no Brasil, mas o Distrito Federal é o que apresenta a situação mais complicada. Segundo a secretaria de saúde do DF, até 22 de outubro havia 194 casos de infecções e 18 mortes. Em São Paulo, foram 70 casos, com 24 mortes.

Mas não é preciso se apavorar. Essa matéria vai explicar a vcs um pouco mais sobre essa Superbactéria.

1- A bactéria é super RESISTENTE, não super DESTRUIDORA
A superbactéria não ganhou esse apelido (o nome dela é Klebsiella pneumoniae carbapenemase, ou KCP) por causa de algum poder extraordinário de destruição. Muito menos porque vai contaminar geral("Mata todo mundooooo..."). Na verdade elas são resistentes a diversos tipos de antibióticos – e é por isso que os médicos a chamam de “multirresistente”.

2- A KPC não apareceu só agora
Desde 2001 nos Estados Unidos há registros de casos de infecção, no Brasil desde 2005. O gene capaz de dar resistência à bactéria hoje existe em vários lugares do mundo. Mas por que se fala tanto dela agora? Segundo a médica infectologista Denise Brandão de Assis, diretora da divisão de infecção hospitalar do centro de vigilância epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, isso talvez se deva a uma melhora na detecção dessas infecções, e pode não significar que elas existam em maior quantidade agora.

3- Por enquanto, você só pode se contaminar em hospitais – e se já estiver bem doente
Você pode ficar tranquilo: o contágio por essa bactéria está restrito ao ambiente hospitalar e a pessoas que já estão internadas com alguma doença grave e passando por algum tipo de tratamento invasivo – na maioria das vezes, pacientes que estão em UTIs. Portanto, quem está bem de saúde não corre riscos grandes e pode até acompanhar ou visitar doentes em hospitais.

4- A superbactéria não é incurável
A KCP é resistente a várias classes de antibióticos geralmente usadas para tratar infecções graves – mas ainda nao podemos chamar ela de "Bactéria Chuck Norris". Ainda há opções(nao vou cita-las aki porque vcs nao vao entender nada, e muito menos eu), que agem de maneira diferente sobre a bactéria. É verdade que houve mortes, mas não se pode dizer se elas estão relacionadas à infecção ou ao fato de esses pacientes já estarem com uma saúde bem debilitada. O tratamento, em geral, dura 14 dias – em média, o mesmo tempo necessário para outras infecções.

5- Quem costuma tomar medicamentos por conta própria pode contribuir para a proliferação de bactérias mais resistentes

Se você é daqueles que tomam antibiótico por qualquer besteira e sem orientação médica ou interrompem o tratamento antes do tempo recomendado, saiba que também é culpado pela proliferação de superbactérias. Com os antibióticos, as mais fracas morrem. Mas podem existir outras capazes de resistir, graças a mutações genéticas. Ao tomar o remédio de qualquer jeito, você, acaba contribuindo para selecionar as linhagens mais resistentes e permitir que se multipliquem, podendo fazer um estrago depois. Mas o uso indiscriminado de remédio é apenas uma das causas. As próprias bactérias, independente disso, acabam desenvolvendo mecanismos de resistência.

6- Para evitar o contágio, lave a mão

Não, dessa vez não é preciso comprar máscaras e luvas para se proteger! A forma mais eficaz de evitar as superbactérias não poderia ser mais simples (que deveria ser obrigação de todo mundo): lavar as mãos. As pragas são levadas de um doente a outro principalmente através das mãos dos profissionais da saúde (médicos, enfermeiras, auxiliares etc), que muitas vezes, não lavam as mãos com a frequência necessária – seja por negligência, esquecimento ou falta de tempo mesmo.

7- O governo está tomando medidas
A ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, vai tentar diminuir a comercialização de antibióticos ao estabelecer uma nova norma obrigando as farmácias a reterem uma cópia da receita médica. Isso não terá grande impacto na bactéria KPC especificamente, já que ela já é resistente a esses. Mas evitará o surgimento de outras. Além disso, os hospitais serão obrigados a colocar álcool em gel em salas onde há pacientes e os estados e municípios deverão notificar todos os casos de microrganismos multirresistentes que encontrarem.

Fonte:SuperInteressante